quarta-feira, 20 de março de 2013

Senso comum e método cientifico


O que é conhecimento?
Segundo o senso comum, conhecimento é simplesmente aquilo que se sabe.
Segundo a chamada ciência, conhecimento é feito com crenças verdadeiras e justificadas em outras crenças verdadeiras.


Conhecimento, na minha concepção, é uma representação da realidade, que tem como condição apenas ser coerente com a realidade.

Na ideia dos cientistas, porém, algo só é “conhecido” quando é justificado em outras coisas “sabidas” que por sua vez tem de estar justificadas em outras, e assim sucessivamente. As vezes, o sistema acaba parecendo redundante e as vezes parece finalmente se alicerçar em afirmações empíricas, experimentáveis e consideradas evidentes.

Como teólogo lido com essa diferença constantemente. O conhecimento religioso tem mais similaridade com o conhecimento do senso comum do que com o cientifico. Nem todas as afirmações são provadas, muitas são simplesmente aceitas. Isso é aceitável no senso comum, mas absurdo no método cientifico. Certamente, é um mecanismo falível.

Porém devemos não ignorar as falhas do método. Ouvi certa vez uma história de que apesar da sabedoria das mães e avós em insistir e dizer para não tomar friagem que se pega resfriado, os cientistas afirmavam que isso não tinha base. Doenças eram pegas, segundo eles, por micróbios, e não havia provas de que o frio era o causador. Cria-se que o fato de que no frio as pessoas ficam em ambientes fechados como fator que facilitava o contagio. O frio em si não era a razão, pensavam eles. Não haviam provas.

O senso comum porém superou o bom e velho cético. Mais tarde cientistas começaram a compreender que com o frio o sistema de respiração se abre mais, e assim é mais fácil a entrada dos micróbios facilitando o contagio.

Ou seja: o mecanismo cético falhou em trazer uma informação verdadeira com a mesma velocidade que o senso comum. E isso de longe.

Há um sério problema num método não rigoroso: só porque cremos em algo não significa que é verdade. Porém, o inverso também é verdade. É irracional achar que não sabemos algo se não pudermos provar. Se isso fosse levado no ambiente jurídico, uma pessoa presa injustamente que não conseguisse provar sua inocência nesta definição não apenas seria erroneamente considerada culpada, seria considerada como pessoa que não sabe que é inocente até provar. Algo no mínimo ofensivo.

Saber não significa conseguir ensinar, e nem toda experiência pessoal é facilmente repetível, de modo a ser submetivel ao método cientifico. É verdade que pescadores podem mentir, porém se alguém dissesse anos atrás que viu lulas gigantes e que elas portanto existiam, mesmo que outros dissessem que é mentiroso ou que se enganou, a pessoa poderia estar correta e seria uma posição errada com relação a verdade não crer nela se de fato ela viu. Hoje sabemos que aquilo que era mito na verdade existe.

Hoje afirmo coisa semelhante sobre Deus. Já tive experiência clara e inconfundível aos meus olhos com Ele, contato direto, e portanto sei que Ele existe. Não posso repetir a experiência portanto. Logo, não atinjo os requisitos do método cientifico. Será que portanto eu não sei do que estou falando, ou eles que não sabem?
A falha, penso eu, está na pouca valorização das hipóteses improvadas como possíveis verdades dignas já de atenção. Alguém pode colocar uma placa na sua frente dizendo “abismo a frente, não prossiga” e você não crer por falta de evidencia, e pela falta da mesma, cair. Não é preciso provar para estar certo. As vezes, apesar da fabilidade do método da confiança, é preciso ter um pouco de boa fé nos outros. Saber é saber, provar não é o mesmo que saber.
E se é, quem sabe? Alguém já provou isso?

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